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18/01/2022

Leitura compartilhada no novo Ensino Médio

É sabido que, em algumas turmas e séries, durante a passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, ocorre um declínio da experiência de leitura de textos ficcionais. Uma atividade que aos poucos cede sua centralidade e dá lugar à também importante história da Literatura e seus estilos.

 

A BNCC cita essa questão quando diz:

Em relação à literatura, a leitura do texto literário, que ocupa o centro do trabalho no Ensino Fundamental, deve permanecer nuclear também no Ensino Médio. Por força de certa simplificação didática, as biografias de autores, as características de épocas, os resumos [...] têm relegado o texto literário a um plano secundário do ensino. Assim, é importante não só (re)colocá-lo como ponto de partida para o trabalho com a literatura, como intensificar seu convívio com os estudantes. (BNCC, p. 499).

 

As possibilidades de experiências com os textos são imensas. Para a formação leitora, não há caminhos óbvios, mas há algumas experiências bem-sucedidas, em geral já conhecidas pelos professores. 

 

Uma delas é a leitura compartilhada: o professor e os alunos com o texto diante dos olhos, e alguém lendo – o professor mesmo, que é o leitor mais traquejado do grupo todo e por isso tem o dever de fazer leituras em voz alta, em todos os anos da escola e não apenas nos iniciais. É uma ilusão achar que adolescentes, jovens e adultos não queiram mais ouvir alguém ler: quando se ouve uma leitura bem feita, com as pausas e as ênfases bem distribuídas, se tem uma experiência vital para depois praticar a leitura individual e silenciosa.

 

Ler em voz alta não significa ler tudo, todo o texto. Uma boa estratégia consiste em ler trechos de capítulos, ou capítulos inteiros caso isso seja possível, e depois solicitar a leitura da sequência, do final do capítulo ou dos subsequentes; fica então marcado para a próxima aula, na próxima semana, o ponto em que o texto será retomado. Digamos: lê-se o primeiro capítulo de um livro em uma determinada aula inicial, e solicita-se a leitura dos três seguintes; na outra semana, volta-se a ler o livro no capítulo cinco. Naturalmente, a cada nova rodada de leituras é conveniente relembrar os fatos transcorridos antes, para poder ir compondo os vários sentidos do livro.

 

Conforme o caso, é possível motivar alguns leitores a fazerem a leitura em voz alta, para interpretarem personagens específicos, em cenas de diálogos. Pode parecer pouco, mas é um grande aprendizado descobrir como fala cada personagem, segundo seu temperamento e o fluxo do enredo.

 

Essa estratégia pode ser cansativa para alguns, os mais habituados à leitura, e portanto ser um elemento de dispersão para eles. Mas um professor sabe avaliar em que medida pode avançar, em favor dos mais rápidos, ou deve permanecer mais tempo num mesmo momento do livro, em favor dos mais lentos. Se serve de consolo, vale lembrar que nunca, em sala de aula alguma, há homogeneidade de ritmo, em qualquer matéria. Os programas e as práticas de aula são concebidos para um ritmo médio, que pode ser mais ou menos adequado a determinados grupos. No caso da leitura, o critério principal é fazer o máximo esforço para que o maior número possível de alunos acompanhe a atividade com interesse.

 

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