A história de um homem que enfrentou a ditadura
Prefácio de Marcelo Rubens Paiva
“Visado pela ditadura desde os primeiros meses do Golpe de 64, Gasparian tinha todos os motivos para se sentir inseguro. Já no primeiro dia após a queda do presidente João Goulart – com quem tinha boas relações políticas e pessoais –, Gasparian havia se tornado uma das vozes mais críticas à ditadura e, por isso mesmo, também uma das mais perseguidas.
Notando que o cerco se fechava, Gasparian e sua família sentiram a necessidade de passar uma temporada vivendo no exterior. Fernando, inclusive, chegou a sugerir que seu amigo Rubens Paiva fizesse o mesmo.
Porém, naqueles primeiros meses de 1973, a situação acabou ficando ainda mais sufocante. Gasparian – pouco depois de retornar ao Brasil – percebeu que quase tudo mudara radicalmente. A começar pelo próprio Rubens Paiva, a quem aconselhara cuidado e que, pouco depois de a família Gasparian ter embarcado para a Inglaterra, foi detido na própria casa, desapareceu nos corredores de um quartel militar e nunca mais foi encontrado – nem mesmo seu corpo foi devolvido aos parentes. Em 1973, Rubens Paiva já era (e se tornaria ainda mais) um dos maiores símbolos da arbitrariedade, da violência e da falta de limites de quem estava no poder no Brasil.”
(Trecho do livro)
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