Outros Formatos


ODISSEIA - Homero

ODISSEIA

Ὀδύσσεια

Homero

Tradução de Donaldo Schüler

O rei levou o alarma à cidade. Os lestrigões acorreram,
destemidos, de todas as partes. Eram milhares.
De homens eles não tinham nada. Eram
Gigantes [...]. Tumulto sobe das naus, aterrador.
Gritos de morte. Estalos de tábuas. Racham
ao soco de rochas. Os canibais fisgam meus homens
e os destinam à ceia como peixes. No decorrer
da matança no interior da baía, puxei da espada
cortante, presa à coxa, parti as amarras que
prendiam minha nau escura. Meus homens
receberam ordens de se porem aos remos, força
requeria a fuga da morte. Meu navio escapou da
saraivada de rochas. Em mar alto jubilei. Os outros
não tiveram a mesma sorte. Pereceram todos. De
coração pesado, distanciamo-nos da terra fatídica,
felizes por estarmos vivos, triste pelos mortos. 

(Trecho do canto 10)

 

Surgida no século IX a.C., a Odisseia é considerada, isoladamente, a obra mais importante da literatura ocidental. Mãe, com a Ilíada, de todas as narrativas, fundadora da arte de contar histórias, inventora do herói errante, na sua riqueza beberam os mais renomados escritores. Em seus 24 cantos – que na Grécia antiga eram declamados de memória por aedos, que os transmitiam de forma oral –, conta as histórias e aventuras de Odisseu (em latim, Ulisses), após sua participação na Guerra de Troia, na atual Turquia, e as peripécias por que passou ao voltar para casa, na ilha grega de Ítaca, para junto da mulher e do filho. 

A primeira parte da epopeia (cantos I a IV) relata a busca de Telêmaco pelo pai, Odisseu, enquanto este vive uma série de aventuras fabulosas pelo caminho, enfrenta inimigos, encontra feiticeiros, ninfas e conhece diversos lugares. A segunda parte da narrativa (cantos V a XII) concentra-se no relato do próprio herói, que conta as próprias desventuras. Ele e seus homens vencem o ciclope Polifemo, visitam o Hades, o mundo subterrâneo, e sobrevivem ao traiçoeiro canto das sereias, entre vários outros perigos. Na terceira e última parte (cantos XIII a XXIV), Odisseu retira-se da corte do rei Alcínoo, em Esquéria, e, com o auxílio da deusa Palas Atena, chega a Ítaca. Agora ele terá de derrotar os pretendentes que o creem morto e que cobiçam Penélope – sua mulher – e seus bens.

Homero, a quem se atribui a Ilíada e a Odisseia, teria nascido perto de Esmirna, no século IX a.C. Pouco se sabe sobre ele. Teria dirigido uma escola de retórica e em seguida viajado por todo o mundo mediterrâneo. Acredita-se que seu falecimento ocorreu na ilha de Ios. Donaldo Schüler, um dos maiores helenistas e tradutores brasileiros, ao verter a obra homérica do original grego para o português, logrou o êxito de manter a sonoridade original, aliando as falas à linguagem coloquial.

A questão homérica, uma das maiores discussões literárias do fim do século XVII, pôs em dúvida a existência de um único poeta para as duas epopeias ou mesmo para cada uma delas, indo até a ideia de “obras anônimas da criatividade popular”. Os progressos arqueológicos, históricos e linguísticos permitiram rejeitar a tese de que a Ilíada e a Odisseia fossem fruto apenas da criação popular do gênio grego, e hoje se vê reforçada a ideia de que Homero partiu de elementos da tradição oral, organizando-os, dando-lhes forma final e complexificando as estratégias narrativas, numa maestria que vem fascinando leitores há milênios.

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Informações Gerais

  • Título:

    ODISSEIA

  • Título Original:
    Ὀδύσσεια
  • Catálogo:
    Outros Formatos
  • Gênero:
    Literatura estrangeira
  • Cód.Barras:
    9788525439024
  • ISBN:
    978.85.254.3902-4
  • Páginas:
    456
  • Edição:
    agosto de 2021

Vida & Obra

Homero

Poeta mítico a quem se atribui a Ilíada e a Odisséia, primeiros monumentos da literatura grega. “Homero” significa “o cego" ou “o refém". De acordo com Hérodoto, o mais antigo de seus biógrafos, Homero teria nascido perto de Esmirna no século IX a.C. Quios e seis outras cidades disputam a honra de ter sido sua cidade natal. Ele teria dirigido uma escola de retórica e em seguida viajado por todo o mundo mediterrânico, residindo em Ítaca, Colofónia, Cumes e Qu...

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O rei levou o alarma à cidade. Os lestrigões acorreram,
destemidos, de todas as partes. Eram milhares.
De homens eles não tinham nada. Eram
Gigantes [...]. Tumulto sobe das naus, aterrador.
Gritos de morte. Estalos de tábuas. Racham
ao soco de rochas. Os canibais fisgam meus homens
e os destinam à ceia como peixes. No decorrer
da matança no interior da baía, puxei da espada
cortante, presa à coxa, parti as amarras que
prendiam minha nau escura. Meus homens
receberam ordens de se porem aos remos, força
requeria a fuga da morte. Meu navio escapou da
saraivada de rochas. Em mar alto jubilei. Os outros
não tiveram a mesma sorte. Pereceram todos. De
coração pesado, distanciamo-nos da terra fatídica,
felizes por estarmos vivos, triste pelos mortos. 

(Trecho do canto 10)

 

Surgida no século IX a.C., a Odisseia é considerada, isoladamente, a obra mais importante da literatura ocidental. Mãe, com a Ilíada, de todas as narrativas, fundadora da arte de contar histórias, inventora do herói errante, na sua riqueza beberam os mais renomados escritores. Em seus 24 cantos – que na Grécia antiga eram declamados de memória por aedos, que os transmitiam de forma oral –, conta as histórias e aventuras de Odisseu (em latim, Ulisses), após sua participação na Guerra de Troia, na atual Turquia, e as peripécias por que passou ao voltar para casa, na ilha grega de Ítaca, para junto da mulher e do filho. 

A primeira parte da epopeia (cantos I a IV) relata a busca de Telêmaco pelo pai, Odisseu, enquanto este vive uma série de aventuras fabulosas pelo caminho, enfrenta inimigos, encontra feiticeiros, ninfas e conhece diversos lugares. A segunda parte da narrativa (cantos V a XII) concentra-se no relato do próprio herói, que conta as próprias desventuras. Ele e seus homens vencem o ciclope Polifemo, visitam o Hades, o mundo subterrâneo, e sobrevivem ao traiçoeiro canto das sereias, entre vários outros perigos. Na terceira e última parte (cantos XIII a XXIV), Odisseu retira-se da corte do rei Alcínoo, em Esquéria, e, com o auxílio da deusa Palas Atena, chega a Ítaca. Agora ele terá de derrotar os pretendentes que o creem morto e que cobiçam Penélope – sua mulher – e seus bens.

Homero, a quem se atribui a Ilíada e a Odisseia, teria nascido perto de Esmirna, no século IX a.C. Pouco se sabe sobre ele. Teria dirigido uma escola de retórica e em seguida viajado por todo o mundo mediterrâneo. Acredita-se que seu falecimento ocorreu na ilha de Ios. Donaldo Schüler, um dos maiores helenistas e tradutores brasileiros, ao verter a obra homérica do original grego para o português, logrou o êxito de manter a sonoridade original, aliando as falas à linguagem coloquial.

A questão homérica, uma das maiores discussões literárias do fim do século XVII, pôs em dúvida a existência de um único poeta para as duas epopeias ou mesmo para cada uma delas, indo até a ideia de “obras anônimas da criatividade popular”. Os progressos arqueológicos, históricos e linguísticos permitiram rejeitar a tese de que a Ilíada e a Odisseia fossem fruto apenas da criação popular do gênio grego, e hoje se vê reforçada a ideia de que Homero partiu de elementos da tradição oral, organizando-os, dando-lhes forma final e complexificando as estratégias narrativas, numa maestria que vem fascinando leitores há milênios.

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