Coleção L&PM E-books


OVELHAS NEGRAS - Caio Fernando Abreu

Nunca pertenci àquele tipo histérico de escritor que rasga e joga fora. Ao contrário, guardo sempre as várias versões de um texto, da frase em guardanapo de bar à impressão no computador. Será falta de rigor? Pouco me importa. Graças a essa obsessão foi que nasceu Ovelhas negras, livro que se fez por si durante 33 anos. De 1962 até 1995, dos 14 aos 46 anos, da fronteira com a Argentina à Europa. (...) Uma espécie de autobiografia ficcional, uma seleta de textos que acabaram ficando fora de livros individuais. Alguns, proibidos pela censura militarista; outros, por mim mesmo, que os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos, etc. Eram e são textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez, que foi aliás um dos títulos que imaginei. Cada conto tem seu “o conto do conto”, frequentemente mais maluco que o próprio, e essas histó­rias também entram em forma de miniprefácios. (...). Remexendo, e com alergia a pó, as dezenas de pastas em frangalhos, nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou dis-forme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas. (Trecho da introdução de Caio Fernando Abreu que abre este livro.)

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Informações Gerais

  • Título:

    OVELHAS NEGRAS

  • Catálogo:
    Coleção L&PM E-books
  • Gênero:
    Literatura moderna brasileira
  • eISBN:
    978.85.254.2446-4

Vida & Obra

Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu nasceu em Santiago, RS, em 1948 e morreu em Porto Alegre em 1996. É considerado um dos grandes escritores brasileiros de todos os tempos. Escreveu, entre outros livros, Morangos mofados, Onde andará Dulce Veiga?, Pedras de Calcutá, Os dragões não conhecem o paraíso, Inventário do irremediável, Fragmentos, O ovo apunhalado, Ovelhas negras e Triângulo das águas (os últimos quatro pu­blicados na Coleção L&PM POCKET)...

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Nunca pertenci àquele tipo histérico de escritor que rasga e joga fora. Ao contrário, guardo sempre as várias versões de um texto, da frase em guardanapo de bar à impressão no computador. Será falta de rigor? Pouco me importa. Graças a essa obsessão foi que nasceu Ovelhas negras, livro que se fez por si durante 33 anos. De 1962 até 1995, dos 14 aos 46 anos, da fronteira com a Argentina à Europa. (...) Uma espécie de autobiografia ficcional, uma seleta de textos que acabaram ficando fora de livros individuais. Alguns, proibidos pela censura militarista; outros, por mim mesmo, que os condenei por obscenos, cruéis, jovens, herméticos, etc. Eram e são textos marginais, bastardos, deserdados. Ervas daninhas, talvez, que foi aliás um dos títulos que imaginei. Cada conto tem seu “o conto do conto”, frequentemente mais maluco que o próprio, e essas histó­rias também entram em forma de miniprefácios. (...). Remexendo, e com alergia a pó, as dezenas de pastas em frangalhos, nunca tive tão clara certeza de que criar é literalmente arrancar com esforço bruto algo informe do Kaos. Confesso que ambos me seduzem, o Kaos e o in ou dis-forme. Afinal, como Rita Lee, sempre dediquei um carinho todo especial pelas mais negras das ovelhas. (Trecho da introdução de Caio Fernando Abreu que abre este livro.)

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