“O rei levou o alarma à cidade. Os lestrigões acorreram,
destemidos, de todas as partes. Eram milhares.
De homens eles não tinham nada. Eram
Gigantes [...]. Tumulto sobe das naus, aterrador.
Gritos de morte. Estalos de tábuas. Racham
ao soco de rochas. Os canibais fisgam meus homens
e os destinam à ceia como peixes. No decorrer
da matança no interior da baía, puxei da espada
cortante, presa à coxa, parti as amarras que
prendiam minha nau escura. Meus homens
receberam ordens de se porem aos remos, força
requeria a fuga da morte. Meu navio escapou da
saraivada de rochas. Em mar alto jubilei. Os outros
não tiveram a mesma sorte. Pereceram todos. De
coração pesado, distanciamo-nos da terra fatídica,
felizes por estarmos vivos, triste pelos mortos.”
(Trecho do Canto 10)
Surgida no século IX a.C., a Odisseia pode ser considerada a obra isolada mais importante da literatura ocidental. Mãe, com a Ilíada, de todas as narrativas, fundadora da arte de contar histórias, inventora do herói errante, na sua riqueza beberam os mais renomados narradores. Trata-se da história de Odisseu após a sua participação na Guerra de Troia e as peripécias por que passou ao voltar para casa, em Ítaca.
Esta tradução que a L&PM Editores apresenta ao leitor foi realizada por um dos maiores helenistas brasileiros, Donaldo Schüler, tradutor das tragédias de Sófocles e Ésquilo, e também da premiada versão de Finnegans Wake (Finnicius Revém), de James Joyce. Nela, a obra de Homero encontra-se preservada em toda sua grandiosidade, engenhosidade e delícia.
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