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12/12/2011

Uma conversa exclusiva com J.P. Donleavy, autor de Um safado em Dublin

Por Ivan Pinheiro Machado

Mr. J.P. Donleavy escreveu The Ginger Man, recém-publicado no Brasil através da L&PM Editores com o nome de Um safado em Dublin, em 1955. Desde então, seu livro se tornou um clássico da literatura nos quatro cantos do planeta e seu nome ecoa entre no universo underground. Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM e grande admirador da obra, conversou brevemente por e-mail com Mr. Donleavy que, aos 85 anos, vive em uma fazenda próxima à Dublin na Irlanda. Veja como foi o papo:

Ivan Pinheiro Machado – Quando o senhor escreveu o livro, imaginava que estava escrevendo um clássico?

J.P. Donleavy – Eu não tenho certeza se achei que The Ginger Man seria um clássico, mas Brendan Behan achou. Previu Behan: “Este seu livro vai dar a volta no mundo e surpreendentemente bater a Bíblia”. Ele acertou a primeira parte.

Pinheiro Machado – Sei que houve problemas com a primeira edição. Teve problemas com os editores e foi considerada pornográfica?

Donleavy – “Obsceno” seria uma melhor descrição de como alguns consideraram T.G.M. Houve alguns problemas com o banimento do livro.
Autores sempre têm dificuldade com títulos. O título “The Ginger Man” me pareceu a melhor descrição para o personagem do livro. Antes do título T.G.M. a obra era conhecida como “S.D.” (Sebastian Dangerfield - personagem principal).

Pinheiro Machado – Sua narrativa muitas vezes é feita em dois planos. A frase começa na terceira pessoa e, de repente, passa para a primeira pessoa. Quais foram as técnicas narrativas que o senhor utilizou em seu romance?

Donleavy –
Eu ignorei as regras da gramática inglesa, já que assim as coisas poderiam ser mais graficamente descritas.

Pinheiro Machado – Sebastian Dangerfield é um personagem sui genris dentro da literatura. Um herói amoral. Um fracassado que sublima o fracasso através de uma visão de mundo delirante. Ele jamais se entrega à depressão e fascina o leitor pela forma com que supera os problemas. Mesmo quando comete um ato imoral nós, leitores, aceitamos sua justificativa. Este tipo de “herói da sobrevivência”, o senhor criou baseado em pessoas que conheceu?

Donleavy –
Nós teremos que cuidar a difamação! Todos os personagens em T.G.M. são baseados em originais, no entanto, eles nunca reclamaram e muitos deles já partiram desta vida.

Pinheiro Machado – Há um verso, daqueles que normalmente encerram os capítulos, que tornou-se inesquecível para mim. Em maus momentos eu sempre penso nele: "Levem os mortos embora, / Ponham música, por favor”. O senhor acha que ele define o seu personagem? Por que concluir os capítulos com estes versos, geralmente irônicos?

Donleavy – Eu não sei se o verso define meu personagem, mas assim como a morte, é uma forma de término e merece uma cerimônia.
Ironia é a melhor parte da vida.

Pinheiro Machado – Dublin tem um clima mágico, talvez muito mais pela literatura do que na realidade. Joyce, Flan O’Brien e a própria Dublin do americano com sotaque inglês Sebastian Dangerfield. O que Dublin significa para o senhor?

Donleavy – Caminhando e peregrinando tive a oportunidade de me tornar familiar à Dublin, uma cidade cruel naquela época e que, por isso, praticamente ninguém pesquisou muito  para saber mais sobre ela naquele tempo. Após o final da Guerra.

“Mas foi na Dublin da época [Outono de 1946] que houve a maior explosão de exuberância e festejamentos, senão êxtase, onde se ouviu por muitas vezes no Hooleys e em muitos outros pubs (...) ‘Anime-se ou vou quebrar sua cara.´”
[Trecho de Um safado em Dublin]

Pinheiro Machado – Seu romance se passa no pós-guerra, sem valorizar excessivamente este fato. Suas citações à guerra são pouquíssimas. Por quê?

Donleavy –
Considero a guerra assim como a vida, só que talvez com mais balas.

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