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15/02/2013

Domingos Paschoal Cegalla fala sobre o seu Dicionário de dificuldades da língua portuguesa

Por L&PM

L&PM:  Professor, o Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, em edição de bolso, torna mais acessível, a um número maior de pessoas, os estudos sobre o nosso idioma. Este livro serve como um guia para leigos, estudiosos ou para ambos os públicos?

CEGALLA: Meu dicionário destina-se a qualquer pessoa escolarizada, mas de modo particular a professores, jornalistas, comunicadores e estudiosos da língua portuguesa. Para entendê-lo bem, é óbvio, exige do leitor conhecimentos gramaticais básicos.

 

L&PM: Como foi elaborado o Dicionário?

CEGALLA: Como as demais obras de minha autoria, meu Dicionário foi sendo elaborado paulatinamente e sem o auxílio de outra pessoa, seguindo um plano preestabelecido. Depois de muita leitura e de exaustiva pesquisa, cada verbete foi batido à máquina e posto em ordem alfabética.

 

L&PM: As dúvidas que o livro contempla são baseadas na sua experiência e trajetória como professor?

CEGALLA: Os casos expostos em meu trabalho se baseiam em minha experiência como professor e sobretudo como gramático, atividades que exigem vasta leitura e muito gosto pela língua bem falada e bem escrita.

 

L&PM: Quais são as dúvidas mais antigas e, ao mesmo tempo atuais, sobre a língua portuguesa?

CEGALLA: Um dos erros mais frequentes no uso da língua portuguesa no Brasil é o emprego do pronome pessoal lhe em vez de o (ou a) para complementar verbos transitivos diretos. Assim é que se ouve ou se lê frequentemente: eu lhe vi entrar em casa. / Deus lhe abençoe. / Presentearam-lhe com um colar de pérolas. / A grandiosidade do cenário lhes impressionou vivamente.

O uso impróprio do pronome lhe e do verbo haver, por parte do poeta Fagundes Varela, foi o estopim que deflagrou a célebre polêmica entre o romancista português Camilo Castelo Branco e o escritor brasileiro Carlos de Laet, em meados do século 19, o século das polêmicas.

No século 20, começaram as freiadas (opa! freadas, sem o i), hoje mais freqüentes e mais bruscas do que nunca, devido ao impressionante aumento de carros nas ruas e nas estradas. E o governo, em vez de freiar (epa! frear, sem i), a onda veicular, a incentiva e aplaude.

Omitir a preposição antes do pronome relativo que, quando o verbo a exige, revela um conhecimento medíocre da língua portuguesa.

São antigas e freqüentes construções como estas:

Esta é a situação dramática que chegamos.

São tantas as coisas que dependemos!

O que não se pode prescindir numa casa é de amor e paz.

É nobre o ideal que vocês lutam.

 

Como atestam as construções que seguem:

No temporal de ontem caiu árvores e postes.

Os dois irmãos parecem que não se entendem.

São fatos esses que não adiantam escamotear.

Trata-se de problemas que não cabem a mim solucionar.

 

L&PM: O uso da internet confunde e prejudica o bom uso do idioma. Existe alguma preocupação sua, como professor, a respeito do uso exacerbado da internet - especialmente para as futuras gerações?

CEGALLA: A internet é um meio de comunicação social formidável (em todos os sentidos da palavra). Como a televisão, pode fazer bem ou mal, depende de quem a produz e de como é usada pelos que nela navegam. É verdade: seu uso exagerado descamba na falação, prejudicando a boa linguagem. E isso preocupa professores e educadores. Que fazer? Concitar família, escola, igrejas para orientar os jovens no uso correto da internet, alertando-os contra as insídias do dragão tecnológico do século 21.

 

 

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