01/02/2011
- Por L&PM Editores
Mary Shelley era uma garota londrina de apenas 19 anos quando, em 1816, imaginou a história do monstro que ganha vida em Frankenstein. Casada com o também escritor Percy Bysshe Shelley, e amiga de Lord Byron, teve uma vida de fama, mas também de infortúnios. Perdeu filhos quando ainda era bebês, sofreu de depressão e, a partir de 1839, começou a ter dores de cabeça lancinantes e ataques de paralisia que a impediam de ler e escrever. No primeiro dia de fevereiro de 1851, em Chester Square, Mary Shelley morreu aos 53 anos, com suspeita de um tumor cerebral. Após a sua morte, os herdeiros abriram sua escrivaninha e lá encontraram mechas de cabelos de seus filhos falecidos, um caderno que ela compartilhava com Percy Shelley, uma cópia do poema Adonais e cinzas e restos do coração de seu marido.

Abaixo, um trecho de "Breve esboço sobre a vida literária dos monstros", introdução escrita por Guilherme da Silva Braga para o livro Clássicos do Horror, Série Ouro L&PM:
No ano de 1816, conhecido como "o Ano sem Verão", a jovem Mary Wollstonecraft Godwin, então com apenas dezenove anos, hospedou-se às margens do Lago Léman, na Villa Deodati, a convite de Lord Byron. Também integravam a companhia John Polidori, médico pessoal de Byron e escritor, e Percy Bysshe Shelley, com quem Mary viria a se casar no mesmo ano.
Reunidos ao pé da lareira para fugir do frio e da chuva fora de época, os amigos passavam o tempo lendo histórias de fantasmas, até que Byron sugeriu que cada um escrevesse uma história baseada em algum evento sobrenatural.
Mal sabia o lorde inglês que essa prosaica sugestão acabaria dando ensejo a uma das ocasiões mais célebres da história da literatura.
Dia após dia perguntavam a Mary Godwin se havia pensado em uma história; dia após dia a resposta era negativa. Até que, certa noite, a autora teve uma visão:
"Depois de repousar a cabeça no travesseiro, não dormi, nem se poderia dizer que eu estivesse pensando. A minha imaginação, agindo por vontade própria, possuiu-me e guiou-me, conferindo às sucessivas imagens que surgiam na minha mente uma vividez muito além dos limites ordinários da fantasia. Eu vi - de olhos fechados, mas com uma visão mental precisa -, eu vi o pálido estudante das artes profanas de joelhos ao lado da coisa que havia montado. Vi o odioso espectro de um homem estendido, que então, sob influência de algum móvel poderoso, deu sinais de vida e agitou-se com movimentos canhestros, dotados de uma espécie de semivida."
Logo o tempo melhorou e o grupo foi passear nos Alpes - porém Mary, obcecada pela ideia do monstro e graças ao incentivo e apoio de Shelley, seguiu lapidando o texto que culminaria no romance finalmente publicado em 1818.
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Leia nossa política de privacidade