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UM INIMIGO DO POVO

Henrik Ibsen
Tradução de Pedro Mantiqueira

Coleção L&PM E-books
Formato ePub
ISBN 978.85.254.2479-2

R$11,90



UM INIMIGO DO POVO

Henrik Ibsen
Tradução de Pedro Mantiqueira

Coleção L&PM Pocket
Ref. 229
176 páginas
ISBN 978.85.254.1104-4
Também em e-book

R$22,90

Henrik Ibsen

Henrik Ibsen nasceu em 20 de março de 1828, filho de Knud e Marichen (Altenburgh) Ibsen, em Skien (Noruega) – uma cidade costeira de cerca de 3 mil habitantes cuja principal atividade econômica era a extração de madeiras. Com exceção de seu pai, que era proprietário de um armazém e de uma destilaria, os parentes por parte de pai foram todos marinheiros e capitães de navios. O irmão mais velho morreu um mês antes do nascimento de Henrik, mas seus pais tiveram mais quatro filhos, três homens e uma mulher, e todos viveram até a idade adulta. A Noruega esteve sob o poder da Dinamarca de 1387 a 1814, quando, de­pois de poucas semanas de independência, foi subjugada pela Suécia. Na época em que Hen­rik nasceu, era uma região rural muito primitiva, culturalmente subjugada pela Dinamarca, sem nenhuma vida intelectual própria. Henrik Ibsen nasceu num meio familiar conservador e feliz; seu pai era um próspero comerciante enquanto sua mãe cuidava do lar e tocava piano. A vida complicou-se quando em 1834 as autoridades governamentais mandaram fechar a destilaria, arruinando seu pai que foi obrigado a vender tudo o que tinha, das terras até a casa e a mobília. Dos 13 aos 15 anos, Ibsen cursou uma pequena escola particular, onde suas matérias favoritas eram religião e história clásica. Em 27 de dezembro de 1843, foi de navio para Grimstad, uma cidade de 800 habitantes ao sul, para trabalhar como assistente de farmacêutico.

A partir daí Ibsen começa a levar sua vida, retornando a casa paterna somente em rápidas visitas e contatos ocasionais. Durante os seis anos que esteve em Grimstad, trabalhou arduamente na farmácia e aproveitou o seu pouco tempo livre lendo, pintando e escrevendo poesias. Em Grimstad, como em Skien, as peças de teatro eram encenadas por companhias de teatro itinerantes, e Ibsen assistiu algumas delas, criando imediatamente um fascínio pela dramaturgia. Em 1846, com 18 anos, ele teve um filho com uma empregada doméstica de 21 anos que trabalhava na casa de seu chefe (embora tenha sido obrigado a contribuir financeiramente para os estudos do filho até este completar 18 anos, nunca teve contato com a criança). Aos 20 anos, Ibsen já tinha se tornado um livre pensador em questões de religião e política, e estava completamente excitado com a onda de revoluções populares que surgiam por toda a Europa, em 1848, e ameaçavam os velhos governos. Ele escreveu poemas nos quais exaltava os húngaros que lutavam por sua libertação e instigava os seus companheiros escandinavos a se levantar contra os seus opres­sores. No princípio de 1849, escreveu Catiline, sua primeira peça, um drama em versos brancos que lembrava Shakespeare no estilo e na estrutura, embora Ibsen negasse qualquer influência direta. Catiline é tradicionalmente apresentado como um conspi­rador de cujas tramas Roma foi salva pela ação de Cícero; na versão de Ibsen, ele é um revolucionário e um herói.

Carreira Literária
Em 1850, Ibsen mudou-se para Christiania (hoje Oslo), capital da Noruega, onde prestou os exames para entrar na Universidade, e começou pela primeira vez na vi­da a se encontrar regularmente com companheiros escritores e intelectuais. Neste ano, seu amigo Ole Schulerud financiou a publicação de Catiline. O livro teve uma boa crítica na cidade. No ano seguinte, sua segunda peça, The Warrior’s Barrow, foi mon­tada, mas não chamou mais atenção do que a anterior. Tendo rodado nos exames para a universidade, passou a escrever resenhas de teatro e comentários políticos enquanto freqüen­tava aulas de litera­tura. Em outubro de 1851, não tendo se qualificado para a uni­versidade, o curso de sua vida mudou quando lhe ofereceram um trabalho com o violinista clássico e diretor do teatro Ole Bull. Nos seis anos seguintes, Ibsen dividiu seu tempo entre Copenhagen, na Dinamarca – o centro teatral da escandinávia naquela época – e o teatro de Bergen, na Noruega, onde se envolveu em todos os aspectos na produção teatral, exceto como ator. Foi um aprendizado definitivo, uma oportunidade para Ibsen conhecer em todos os aspectos de seu ofício. A frustração que levou desta época é o fato dos padrões de atuação e produção serem tão provincianos. As peças produzidas eram na sua maior parte melodramas importados da França, que enfatizavam enredos intrincados em vez de personagens; e as companhias não eram comer­cialmente lucrativas.

No princípio de 1856, Ibsen conheceu a jovem Suzannah e se casaram em 18 de junho de 1858. Embora nos dramas de Ibsen as mulheres fossem seguidamente apresentadas como dominadoras e não houvessem virtualmente casamentos felizes, tanto a sua esposa como o seu filho Sigurd (nascido em 23 de dezembro de 1859) devotariam totalmente suas vidas ao seu bem-estar pessoal e profissional. Ibsen deixou o teatro Bergen em 1857 para dirigir o Norwegian Theater em Christiana. Essa iniciativa fracassou em 1862, e nos dois anos seguintes ele passou difi­cul­da­des, vivendo com um pequeno salário do governo para reunir ma­te­rial sobre folclore (alguma coisa pôde ser utilizada em Peer Gynt, publicada em 1867). Em 1864, mudou-se com a família para Roma, onde viveria até 1891, com exceção de um período de dez anos na Alemanha, de 1868 a 1878.

A carreira de Ibsen como dramaturgo passa por vários períodos distintos. Nas duas primeiras décadas, seu estilo predominante era o drama em verso, com temas seguidamente tirados da história clássica ou da história da Escandinávia (Loves Comedy [1862], uma versão satírica do casamento moderno, foi uma exceção significativa). Seu último drama épico, surgido a partir de motivos históricos, foi Emperor and Galilean (1873), que marcou uma virada importante, já que foi escrita em prosa. Muitos desses trabalhos foram fracassos de bilheteria. As maiores realizações de Ibsen neste período foram dois longos dramas em verso que foram publicados em vez de serem encenados. Brand (1865), que ex­plo­rava o personagem de um pastor luterano fanático, idealista e obstinado, trouxe a Ibsen não apenas fama como também dinheiro, na forma de um subsídio do governo. Peer Gynt, que leva seu anti-herói pela Terra e através de uma série de aventuras, algumas sobre­naturais, não é diferente do Fausto, de Goethe, em sua poesia, em sua sucessão de cenas intensas, e em suas indagações morais e filosóficas. Embora diferente em estilo e essência das peças normalmente associadas a seu nome, ela permanece como um dos melhores trabalhos de Ibsen.

The Pillars of Society (1877) foi o primeiro de oito dramas realistas, desenvolvendo-se na época moderna e escrito em prosa naturalista; esta peça revolucionaria o teatro europeu e daria a Ibsen uma reputação internacional. A Doll’s House (1879), a segunda destas peças, provocou sensação com seus insights psicológicos, com sua persuasiva representação das complexidades de uma relação matrimonial, e sua evidente simpatia pelas frustrações e pelo chocante conformismo das esposas nesta situação. Ghosts (1881) provocou um es­cân­­dalo quando admitiu a herança de uma doença venérea, e foi mais do que tudo responsável pela reputação de Ibsen como um autor de “peças problemáticas”, dramas cuja principal preo­cupação era trazer a luz questões sociais controversas. Assim, nessa visão pequena, A Dolls House trata da subjugação da mulher, Ghosts é sobre a sífilis, Um Inimigo do Povo (1882, L&PM POCKET 2000) é sobre idealismo versus corrupção municipal e assim por diante. Na realidade, a verdadeira preo­cupação destas peças é a sutil análise do caráter humano e suas motivações, e a tortuo­sa natureza das relações; elas agem mais como uma base, uma explicação parcial do comportamento humano e dos problemas que as próprias pessoas criam para si mesmas e para os outros através de um rígido e quase sempre hipócrita apego a tradições obsoletas e normas sociais corruptas. A grande cruzada de toda a sua vida foi o combate a hipocrisia institucio­na­lizada e suas conseqüentes crueldades. Em The Wild Duck (1884) ele expõe toda complexidade de sua visão moral e psicológica ao comprovar que em mãos inseguras e deso­nestas, “a verdade” pode ser tão destrutiva quanto a hipocrisia e a mentira – bem como a busca pela liberdade pessoal numa sociedade repressora, como está demons­trado em Heda Gabler (1890), uma de suas maiores peças teatrais.

Os últimos anos e seu legado
Depois de seu retorno à Noruega no auge de sua fama, em 1891, Ibsen escreveu suas quatro últimas peças, uma série de melancólicos, simbólicos dramas cujos prota­go­nistas voltavam para seu passado infeliz e as escolhas que haviam feito. Os críticos logo perceberam temas autobiográficos colocados sutilmente nesses trabalhos, espe­cial­mente When We Dead Awaken (1899), última peça de Ibsen, na qual o escultor Rubek co­meça a sentir que sua sincera dedicação artística tinha exigido um preço muito alto em ter­mos humanos. Em 1900, Ibsen sofreu o primeiro de uma série de ataques apopléticos que o afetariam mental e fisicamente até a sua morte, em 23 de maio de 1906, aos 78 anos. O governo norueguês patrocinou-lhe um funeral oficial. Foi como um inovador dramático que Ibsen fez a sua reputação, numa época em que o drama significava romances superficiais, farsas grosseiras e intrigas com enredos complicados e ridículos. Foi como um ardente crítico das normas sociais e da hipocrisia que ele foi celebrado por seus primeiros admiradores. Mas foi como autor de dramas pode­rosos que retratavam as questões humanas universais, como o criador de personagens com­plexos que sofrem na tentativa de acharem uma razão para viver, que ele transcende a mera importância histórica e permanece como um escritor cujas melhores obras conseguem emocionar e provocar hoje tanto quanto o fizeram há mais de cem anos quando foram encenadas ou lidas pela primeira vez.

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