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Vida & Obra

 

Richard Burton

Explorador, lingüista e escritor vitoriano lembrado hoje principalmente por sua tradução de As mil e uma noites para o inglês e cuja vida esteve intimamente relacionada ao imperialismo britânico do século 19, nasceu em Torquay, Devon, em 19 de março de 1821. Descendente de uma próspera família da aristocracia rural, viveu uma infância nômade e exótica, quando teve contato com ciganos. Em 1822, o pai de Burton, um ex-tenente-coronel do exército britânico, mudou-se com a família para Beauséjour, na França. Durante a década de 1830, perambularam pela França e pela Itália, voltando à Inglaterra somente para curtas visitas. Já nessa época Burton mostrava talento com línguas e curiosidade pela vida de diferentes povos; era fluente em grego, latim, italiano e francês. Em 1840, entrou para o Trinity College, da Universidade de Oxford. Lá, principiou seu estudo da língua árabe, mas foi expulso em 1842 por mau comportamento. Então juntou-se ao Exército de Bombaim, uma divisão da Companhia das Índias Orientais – não para ser um soldado, mas para aprender sobre a cultura oriental. Burton viveu os sete anos seguintes na província de Sind, ao norte do país, como pesquisador de campo e oficial de inteligência, disfarçando-se com freqüência de mercador muçulmano. Dominava uma dúzia de idiomas orientais, incluindo o árabe, o hindustâni e várias outras línguas indianas, e absorveu tudo o que podia sobre a cultura indiana.

 Em 1850, foi para Boulogne, na França, onde escreveu três livros sobre as suas experiências na Índia: Goa and the Blue Mountains; Scinde, or the Unhappy Valley e Sindh and the Races that Inhabit the Valley of the Indus. Em 1853, após muito planejamento e preparo, disfarçado de médico afegão, viajou para Medina e para Meca, onde visitou e fez esboços, correndo grande risco, dos templos sagrados do Islã, proibidos para não-muçulmanos. Embora não tenha sido o primeiro ocidental a empreender tal viagem (a honra cabendo a Ludovico di Barthema, 1503), a sua viagem, apoiada pela Royal Geographical Society, foi melhor documentada. Personal Narrative of a Pilgrimage to El-Medinah and Mecca (1855-1856), uma visão enciclopédica do mundo islâmico, é considerada por muitos a sua mais importante narrativa de viagem.

Aclamado na Inglaterra por esse livro, Burton partiu em uma expedição pela Etiópia e pela Somália, até a cidade proibida de Harer, na companhia do capitão John Speke. Burton foi o primeiro europeu a entrar e sair da cidade sem ser executado. First Footsteps in East Africa (1856) documenta essa aventura. Depois de um período servindo ao exército na Guerra da Criméia, Burton partiu para Zanzibar em 1857, na tentativa de localizar a desconhecida fonte do rio Nilo. The Lake Regions of Central Africa (1860) relata a expedição de dois anos que resultou na descoberta dos lagos Tanganyika e Victoria, este último considerado a fonte do Nilo. Em 1860, Burton atravessou os Estados Unidos até Salt Lake City. The City of the Saints (1861) descreve a Igreja Mórmon e traça um retrato de seu líder, Brigham Young. Em 1861, Burton casou-se com Isabel Arundell, uma católica devota, e entrou para o Ministério das Relações Exteriores britânico. Designado para um posto consular menor em Fernando Póo, uma ilha na costa do que hoje é Camarões, ele estudou a etnologia das tribos nativas e acumulou notas para quatro livros: Wanderings in West Africa (1863), Abeokuta and the Cameroon Mountains (1863), A Mission to Gelele, King of Dahome (1864) e Two Trips to Gorilla Land and the Cataracts of the Congo (1876). Durante o exercício de outros cargos diplomáticos em São Paulo, no Brasil (1864-1869), e em Damasco, na Síria (1869-1871), ele escreveu Viagens aos planaltos do Brasil (1869), Cartas dos campos de batalha do Paraguai (1870) e Unexplored Syrya (1871).

Burton passou os anos finais da sua vida no tranqüilo consulado de Trieste, na Itália. Entregou-se ainda a duas derradeiras aventuras: expedições em busca de minas de ouro no Egito (1876-1880) e na África Oriental (1881-1882), que resultaram em The Gold Mines of Midian (1878) e To the Gold Coast for Gold (1883). Durante esse período, ele também escreveu The Kasîdah (1880), um poema elegíaco moldado a partir de Rubaiyat, de Omar Khayyám, e traduziu Os lusíadas, de Camões (1880), de quem também chegou a escrever uma biografia. Além disso, traduziu poemas do poeta latino Catulo, várias obras de literatura italiana e dois clássicos do erotismo indiano, o Kama Sutra de Vatsyayana (1883, L&PM POCKET 2006) e o Ananga Ranga (1885), assim como o tratado árabe da sexualidade, o Jardim perfumado do xeque Nefzaoui (1886). Verteu também para o inglês As mil e uma noites (editadas em dezesseis volumes entre 1885-1888). Foi condecorado cavalheiro da coroa britânica pela rainha Vitória em 1886.

O capitão Sir Richard Burton morreu em Trieste, em 20 de outubro de 1890. Alarmada com o conteúdo de sexo explícito nos escritos de seu marido, Isabel Burton queimou quarenta anos de anotações, diários e manuscritos. Somente um punhado de obras de Burton foi publicado postumamente, destacando-se The Few, the Gipsy and El Islam (1898) e Wanderings in Three Continents (1901).

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