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ANTOLOGIA POÉTICA – GARCIA LORCA

Federico García Lorca
Tradução, seleção e apresentação de William Agel de Mello

Coleção L&PM Pocket
Ref. 473
208 páginas
ISBN 978.85.254.1456-4

R$19,90

Federico García Lorca

Fuente Vaqueros, em Granada, berço de Federico García Lorca, nascido no dia 5 de junho de 1898. Ali passou a infância. A Andaluzia, portanto, exerceu forte influência sobre a sua obra. A beleza do cenário natural, os olivais, a arquitetura, os acidentes geográficos, os ci­ganos, a música, o modo típico da fala, o ambiente fa­miliar, o espírito andaluz – tudo está refletido em seus livros. Como disse Ian Gibson, o maior biógrafo de Lorca: “Os anos de infância de García Lorca em Fuente Vaqueros permaneceriam sempre dentro dele como um presente constante, ao abrigo da ação do tempo”. O seu livro de juventude escrito em 1916 – Mi pueblo – relata uma série de acontecimentos com personagens do local. Uma das ex­periências mais emocionantes, narradas com muita emoção, foi a morte de Salvador Cabos Rueda, “o com­padre pastor”. A presença da morte desempenhará um papel importante na obra lorquiana.

Seu pai – Federico García Rodriguez – era um dos homens de negócios mais prósperos da região. Sua mãe – Vicenta Lorca Romero –, natural de Granada, era professora de uma escola para meninas de Fuente Vaqueros.

Desde criança, Lorca mostrou pendor para a música – uma característica de família. Da mãe herdara a in­teli­gência – dizia. E deixou consignado em carta o muito que lhe devia no período de sua formação: “Ella me ha formado a mi poéticamente, y yo le debo todo lo que soy y lo que seré”. Victor Hugo era leitura obrigatória em sua casa. Dona Vicenta lia em voz alta, regularmente, as obras do autor francês, um dos escritores prediletos da família. Por parte de mãe, tal­vez levasse nas veias sangue cigano, embora de origem longínqua – o que também teria influenciado, pelo menos de certa forma, a sua poesia.

Em 1906, ou 1907, a família mudou-se para o po­voado vizinho de Asquerosa. Desta maneira, o pai, que se dedicava ao comércio açucareiro, ficaria mais perto da propriedade rural que possuía – Vega de Zujaira. Aí Lorca freqüentou a escola primária cerca de um ano para, em seguida, matricular-se no Instituto de Almeria, onde passou a viver na casa do professor Antonio Rodrigues y Espi­nosa, íntimo amigo da família. Ficou em Almeria apenas alguns meses. Teve de regressar a Asquerosa, por motivo de doen­ça. E foi nessa época – 1909 – que seus pais transferi­ram o domicílio para Granada. Ingressou no Colégio do Sa­grado Cora­ção Jesus, que, apesar do nome, não tinha for­mação religiosa. Terminado o curso secundário, ma­tri­cu­­lou-se nas Faculdades de Direito e de Filosofia e Letras.

Federico nunca se salientou nos estudos. Ao con­trário, foi um aluno que deixava muito a desejar. Em compensação, estudou música com afinco e teria se convertido em talentoso pianista – se não fosse pela literatura.

Os anos de Granada exerceram grande in­fluência em sua carreira literária. Ali travou conhecimento com escritores, artistas e intelectuais que se reuniam no “Rin­concillo” do Café Alameda.

Em companhia de outros estudantes, realizou viagens de estudo, organizadas pelo professor Martíns Domín­gues Berrueta, titular de Teoria da Literatura e das Artes. Em Baenza, conheceu o famoso poeta Antônio Machado, pelo qual nutria profunda admiração.

Depois de passar uma temporada em Burgos, voltou a Granada. Foi nessa época que a vocação definitiva para a literatura se fez notar. Escreveu um livro sobre Castela – Impressões e paisagens, em 1918 –, publicado a expensas de seu pai, que obteve boa receptividade por parte da crítica. Multiplicam-se os poemas, ensaios e as obras de teatro.

Não restam dúvidas de que, na poe­sia, o seu grande mestre foi Rubén Darío. Nos escritos de Lorca daquela época nota-se um ferrenho sentimento anticlerical. Não que fosse um es­pírito iconoclasta. Ao contrário. Acreditava em Deus e em Jesus Cristo. Mas repudiava o clero e o papa, trai­do­res de Cristo, que usavam o nome do Salvador para obter vantagens pessoais e en­grandecer o império da Igreja.

E é nessa época também que aparecem – ou recrudescem – os conflitos sexuais.

Depois da publicação de Impressões e paisagens, e do êxito obtido, a solução mais sensata para crescer era deixar a vida provinciana de Granada e mudar-se para Madri.

Na capi­tal morou na Residência dos Estudantes, onde se reencontrou com diversos “rinconcillistas”, entre os quais Melchior Fernández Almagro, José Fernan­dez-Montesinos, Ramón Pérez Roda e José Mora Guarnido. Ali seu talento de músico e poeta foi reconhecido.

Em Madri conheceu vários artistas e in­telectuais renomados, entre eles Amado Alonso, Gerardo Diego, José de Ciria y Escalante, Guilhermo de Torre, representante maior do movimento ultraísta, e o poeta Juan Ramón Jiménez. Conhecedor de seus pendores para teatro, Jiménez o apresentou a Gregório Martínez Sierra, diretor do Teatro Eslavo e famoso dra­maturgo. Este encontro teve grande importância na carreira teatral de Lorca.

Impressionado com o talento de Lorca, Martínez Sierra convidou-o a escrever uma peça para ser apresen­tada no então famoso teatro vanguardista. O malefício da mariposa estreou no dia 22 de março de 1920 e contou com a participação da atriz Catalina Barcena, no papel de Curianito, e da bailarina Encarnación López Júlvez, a Argentinita. A peça, dirigida pelo próprio Martínez Sierra, não foi bem recebida tanto por parte do público como por parte dos críticos.

No ano seguinte publicou outro livro – Livro de poemas –, que não teve maiores repercussões.

Entre 1920 e 1923, escreveu as Suítes, que foram publicadas somente em 1983, graças ao paciente e mi­nu­cioso trabalho de recompilação do pesquisador francês André Belamich. Em 1921, em Granada, estreitou as rela­ções de amizade com o célebre músico Manuel de Falla, que fixaria residência naquela cidade andaluza. Falla nutri­a o maior interesse pelo cante jondo, o que teria influenciado Federico a aprofundar seus conhecimentos sobre o tema. Em 1922, no centro artístico de Granada, pronunciou uma conferência intitulada Importância histórica e artística do primitivo canto andaluz chamado cante jondo. De volta a Madri, conheceu o pintor catalão Sal­va­dor Dalí. Lorca, Dalí, Buñuel e Pepín Bello torna­ram-se amigos inseparáveis. Em 1923, termina o curso de Direito, mas nunca chegaria a exercer a profissão, pois não tinha pendor para ela. A sua vocação definitiva era a literatura.

Foram tecidos muitos comentários no que tange ao relacionamento entre o poeta andaluz e o pintor catalão. O próprio Dalí declarou publicamente, em 1966, que Lorca “era pederasta, como se sabe, y esta­ba locamente ena­morado de mi. Trató dos veces de... lo que me perturbó muchísimo, porque yo no era pederasta y no estaba dispuesto a ceder. O sea que no passó nada”.

Muitos críticos colocam em dúvida a ve­racidade de tal assertiva e citam vários trechos insinuantes que fazem parte da extensa correspondência mantida por ambos ao longo dos anos.

A carreira de dramaturgo de Lorca come­çou bem, com a estréia de Mariana Pineda, em Barcelona, no dia 24 de junho de 1927, tendo Margarita Xirgu co­mo estrela principal. A decoração esteve a cargo de Dalí.

Lorca também enveredou pela pintura e chegou a fazer uma exposição de seus desenhos em Barcelona. Claro está que a influência daliniana se fazia presente. Aliás, influência nos dois sentidos.

Com a ida de Dalí para Paris, Lorca conheceu Emí­lio Aladrém, com quem teria mantido um re­laciona­mento homossexual.

Pouco antes de Mariana Pineda, publicou seu segundo livro de poemas, Canções, calorosamente recebi­do pela crítica. Em 1928, saiu a lume o tão esperado Primeiro romanceiro gitano, recebido com grande entusiasmo por parte da crítica e do público. E no dizer de seu biógrafo Ian Gibson “o livro de poemas mais lido, mais recitado, mais analisado e mais célebre da língua espanhola”.

A maior característica da obra de García Lorca é a genialidade. Exceto Cervantes, nenhum outro autor espanhol conta com uma bibliografia tão vasta e volumosa. Basta este fato para dar uma idéia da dimensão de sua obra, que aproxima o regional do universal. Tão regional que justificaria a metáfora: Lorca escreve em espanhol, mas com acento andaluz. Arbolé arbolé, seco y verdé...

No dia 25 de junho de 1929, Lorca chegou a Nova York a bordo do Olympic. Permaneceu nove meses nos Estados Unidos – uma experiência marcante na vida e obra do poeta. Chegou a estudar inglês, mas os testemunhos dos amigos indicam que não con­seguiu fazer progressos nesse particular. Freqüen­tou assiduamente o Insti­tuto das Espanhas nos Estados Uni­dos, na Universidade de Colúmbia, e a Aliança His­pano-Americana. Depois esteve em Cuba, onde passou três meses e pronunciou as seguintes conferências: La mecánica de la poesia; Paraíso cerrado para muchos, jardines abiertos para poços; Un poeta gongorino del siglo XVII; Canciones de cuna españolas; La imagem poética en don Luis de Góngora; La arquitectura del cante jondo. No dia 1° de julho de 1930, Lorca regressou a Granada para passar as férias de verão. Em outubro, voltou a Madri a tempo de assistir à peça de sua au­to­ria A sapateira prodigiosa, um êxito de bilheteria e de crítica.

No primeiro semestre de 1932, pronunciou uma série de conferências em várias localidades do país. Na Galícia ficara impressionado com a beleza da região e de modo particular com Santiago de Compos­tela. Embora não falasse o galego, escreveu Seis poemas galegos, com a colaboração de Ernesto Da Cal. Em julho de 1932, La Barraca, integrada por estudantes do teatro universitário, fez uma tournée, visitando diversas cidades do país.

No dia 8 de março, estréia de Bodas de sangue, Lorca ficou definitivamente consagrado como um dos maiores dramaturgos espanhóis. Em determinado mo­mento, o nome de Lorca chegou a ser cogitado para substituir Cipriano Rivas Cherif como diretor do Teatro Lírico Espanho­l.

No dia 29 de setembro de 1933, Lorca embarcou, em Barcelona, no navio italiano Conte Grande, com destino a Buenos Aires, onde passou quase seis meses.

Bodas de sangue e A sapateira prodigiosa obtêm um êxito extraordinário. Mas Mariana Pineda não foi bem recebida pelos críticos. Em Buenos Aires mante­ve um frutífero contato com intelectuais, artistas e jor­nalistas. Pablo Neruda e Amado Villar contavam-se entre os seus melhores amigos.

De regresso à Espanha, no dia 11 de abril, chegou a Barcelona a bordo do navio Conte Bian­camano.

Em Madri freqüentou o conhecido bar A Baleia Alegre, uma versão madrilenha do “Rinconcillo”. Pablo Neruda, que passou a viver na capital espanhola, além de outros integrantes do La Barraca, são os amigos mais íntimos de Lorca. Neruda chegou a escrever uma ode a Federico García Lorca.

No dia 29 de dezembro, deu-se a estréia de Yerma, com a participação de Margarita Xirgu. Ao contrário da crítica isenta, a imprensa ultradireitista e fascista recebeu mal a obra. O dia 28 de setembro de 1935 representou uma data importante na vida de García Lorca e Dalí: o reencontro depois de sete anos. O acontecimento foi saudado com euforia por ambos. Naquela altura, a Espanha marchava inexoravel­mente para a guerra civil. Quanto à posição política de Lorca, a facção ultradireitista considerava-o comunista.

A vitória da Frente Popular nas urnas teve como conseqüência o fortalecimento da Falange Espa­nhola, cujos partidários por temor à instalação de um re­­gi­me comu­nista no poder cerravam fileiras contra os inimi­gos que professavam a doutrina marxista.

Lorca continuou trabalhando intensamente. Ter­­­mi­nou A casa de Bernarda Alba em junho de 1936. Poucos meses antes foram publicados Seis poemas galegos.

A fama literária de Lorca espalhava-se cada dia mais.

No front político, o fascismo alargava suas bases. A guerra civil era inevitável. Em meados de julho, d­urante um jantar na casa de Pablo Neruda, o deputado do Par­tido Socialista, Fulgencio Díez Pastor, aconselhou Lorca a desistir do seu intento de ir para Granada. Melhor seria permanecer em Madri, onde estaria mais seguro. Outros amigos aconselharam-no a sair do país.

No dia 14 de julho, che­gou a Granada. E no dia 23 a cidade rendeu-se aos rebeldes. Os republicanos mais notórios foram presos. Lorca, temendo o pior, decidiu buscar refúgio entre amigos, instalando-se na casa de Luis Rosales, cujos irmãos, José e Antonio, eram membros da Falange.

No dia 15 de agosto, um grupo anti-republi­cano, com a incumbência de deter o poeta, dirigiu-se à Huerta de San Vicente munido de uma ordem de prisão. No dia 16, Manuel Fernández-Montesinos, cunhado de Lorca, foi fuzilado sumariamente junto com outros prisioneiros. No mesmo dia, outro grupo, liderado por Ramón Ruiz Alonso, conseguiu localizar Lorca na mansão dos Rosales. José Rosales fez de tudo para salvar o poeta. Obteve uma ordem de soltura do governador militar, coronel Antonio González Espinoza, e aprestou-se a levá-la ao governador civil, Valdés Guzmán, que a rechaçou, sob a alegação de que Lorca não mais se encontrava aí – o que não era verdade. Na madrugada de 17 ou 18 de agosto, o poeta foi execu­tado, juntamente com Dióscoro Galindo Gonzáles, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadi Melgar.

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