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Marcas de nascença, de Nancy Huston, é o livro de ficção mais vendido na Livraria Cultura

07/02/2008

- Por L&PM Editores

Marcas de nascença, best-seller na França, vencedor do Prêmio Femina e finalista do Prêmio Goncourt, é o primeiro livro da canadense Nancy Huston a ser traduzido no Brasil. A primeira posição na lista dos mais-vendidos na categoria ficção da Livraria Cultura mostra a sensibilidade da narrativa da autora, que dialoga com o público por meio de uma obra polifônica, não apenas por ter quatro narradores, mas pela multidão de assuntos abordados: a educação infantil, o fascínio da violência, o exílio, a força e os limites da memória, os legados familiares, a incomunicabilidade das experiências traumáticas, as conseqüências do silêncio e da vergonha.

Uma leitura talvez não seja suficiente para captar todas as nuances deste romance, que está relacionado a períodos de grandes transformações políticas e sociais. A narrativa começa em 2004, com Sol, um pequeno monstrinho californiano superprotegido pelos pais, que aproveita a distração deles para acessar sites com fotos de tortura e pornografia. A história continua em 1982 com Randall, seu pai, que é forçado a se mudar para Israel para que a mãe, Sadie, possa estudar suas origens. A terceira narradora é a própria Sadie. Em 1962, a infância solitária na casa dos avós deixa marcas profundas na menina, cuja mãe, Erra, é uma cantora iniciante, que vem a ser a protagonista do quarto e decisivo capítulo, ambientado entre 1944 e 1945.

Um livro atualíssimo, comovente, bem-humorado, perturbador, depois do qual o leitor não será mais o mesmo. Contra a barbárie eleva-se este desconcertante e reparador romance no qual, com amor e fúria, Nancy Huston faz uma ode à memória, à lealdade, à resistência e ao entendimento entre os homens.