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Dalton Trevisan: um dos maiores contistas brasileiros

21/01/2009

- Por L&PM Editores

" — Não vou responder às perguntas simplesmente porque não posso, é verdade; sou arredio, ai de mim!  Incuravelmente tímido (um pouco menos com as loiras oxigenadas!)."  Dalton Trevisan

Nascido em 14 de junho de 1925, o curitibano Dalton Jérson Trevisan sempre foi avesso à imprensa, criando uma atmosfera de mistério em torno de seu nome. Não dá entrevistas nem gosta de ser fotografado. Assina apenas "D. Trevis" e não recebe a visita de estranhos. O apelido de "O Vampiro de Curitiba" veio do título de um de seus livros.

Antes de chegar ao grande público, quando ainda era estudante de Direito, costumava lançar seus contos em modestíssimos folhetos. Em 1945, estreou com o livro Sonata ao luar (editor desconhecido), e, no ano seguinte, publicou Sete anos de pastor (editor desconhecido). Atualmente, Dalton renega os dois e declara não possuir sequer um exemplar das obras.

Entre 1946 e 1948, editou a revista "Joaquim". O nome, segundo ele, era "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil". A publicação tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas. Reunia ensaios assinados por Antonio Cândido, Mario de Andrade e Otto Maria Carpeaux e poemas até então inéditos, como "O caso do vestido", de Carlos Drummond de Andrade. A revista também trazia traduções de Joyce, Proust, Kafka, Sartre e Gide e era ilustrada por artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres.

Já nessa época, Trevisan era avesso a fotografias e jamais dava entrevistas. Em 1959, lançou o livro Novelas nada exemplares (editora Record) – que reunia uma produção de duas décadas e recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro – e conquistou o grande público.

Escreveu, entre outros, Cemitério de elefantes (editora Record), também ganhador do Jabuti e do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores, Noites de amor em Granada (editora Record) e Morte na praça (editora Record), que recebeu o Prêmio Luís Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil. Guerra conjugal (editora Record), um de seus livros, foi transformado em filme em 1975. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas: espanhol, inglês, alemão, italiano, polonês e sueco.

Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: A polaquinha), Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Em 2003, dividiu com Bernardo Carvalho o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o livro Pico na veia.

Livros Publicados pela L&PM Editores:


111 ais (2000)

O grande deflorador (2000)

99 corruíras nanicas (2002)

A gorda do Tiki bar (2005)

Continhos galantes (2007)

Duzentos ladrões (2008)

Confira um trecho do livro de contos Duzentos ladrões.