Notícias


Bertrand Russell e Henri Cartier-Bresson: duas reedições imperdíveis

27/08/2009

- Por L&PM Editores

Cada qual em seu métier, em seu campo de atuação, Bertrand Russell e Henri Cartier-Bresson foram duas vozes de destaque no século XX, personalidades cuja importância ecoa até os dias de hoje, através de seus escritos ou fotografias. Filósofo, lógico, matemático, Russell (1872-1970) foi, seguindo a tradição de sua família, um pacifista. Era contra a intervenção norte-americana na Primeira, na Segunda Guerra Mundial e no Vietnã, a favor da emancipação das mulheres, do controle da natalidade, sendo também o primeiro a se posicionar a favor do desarmamento nuclear. Arauto de inúmeras reformas sociais, Russell defendia também o livre-comércio entre as nações e combatia o imperialismo, ainda que tenha falecido antes de ver o mundo nos níveis de globalização atingido com o advento da internet, entre outras tecnologias.

Em Por que não sou cristão e outros ensaios a respeito de religião e assuntos afins, o autor não apenas argumenta contra todas as religiões, como deixa claro ao leitor que as inquietações humanas só podem ser respondidas tendo, cada pessoa, responsabilidade, autonomia e consciência do que faz. Com tradução de Ana Ban, o livro traz, além dos quatorze ensaios, um prefácio à edição inglesa assinada pelo filósofo inglês Simon Blackburn, uma introdução do filósofo austríaco Paul Edwards e um prefácio do próprio Bertrand Russell. Ao final do volume, a cereja do bolo desse que é um dos documentos filosóficos mais blasfemos de toda a história: um apêndice que conta como o filósofo, Prêmio Nobel de 1950, foi impedido de lecionar na Faculdade Municipal de Nova York (City College) em 1939. O ensaio, de autoria ainda desconhecida, contém um duro ataque ao jornal “liberal” The New York Times que, segundo o autor do mesmo, omitiu-se nesta controvérsia, apoiando silenciosamente as forças mais retrógradas da América contra o grande filósofo. Do mesmo autor, a L&PM Editores já publicou na Coleção L&PM Pocket Ensaios céticos (2008) e No que acredito (2007).

Igualmente instigante, Henri Cartier-Bresson (1908-2004) revolucionou a fotografia e o jornalismo com sua mítica Leica. Em Cartier-Bresson: o olhar do século, Pierre Assouline, oferece ao leitor informações essenciais sobre a formação acadêmica, pessoal e profissional de Cartier-Bresson. A paixão pelo surrealismo e a devoção à geometria – com a qual o fotógrafo teve contato durante sua passagem pela Escola André Lothe de pintura –, bem como a relação entre duas referências aparentemente tão opostas, são explicadas na biografia.

A predileção do francês pelo fotojornalismo, campo do qual é um dos fundadores ao lado de Robert Capa, por exemplo, reflete os tempos em que o fotógrafo esteve preso, na Segunda Guerra Mundial, e também a sua infância. Através dos escritos de Assouline, jornalista, editor, biógrafo de nomes como Georges Simenon e amigo pessoal do fotógrafo, o leitor descobre que Cartier-Bresson sempre se sentiu desconfortável com sua origem rica, que sentia culpa em relação às classes desfavorecidas. Ainda menino, Cartier-Bresson recortou do jornal L’Echo de Paris o artigo intitulado “De onde vem o dinheiro?” e pregou em cima do espelho, para vê-lo todos os dias.

Dotado de um olhar único, capaz de capturar, em um “instante decisivo” a profundidade dos fotografados, Cartier-Bresson foi um dos fundadores, em 1947, da Magnum, a agência de fotojornalismo mais prestigiada do mundo. É dele os famosos retratos de Albert Camus, Jean-Paul Sartre, Coco Chanel, Willian Faulkner, Samuel Beckett, dentre muitos outros.